Fala com o especialista! Mais Carne, mais Leite, mais Lucro: a força do Melhoramento Genético


Por Fernando Rosa de Paula
Zootecnista, Supervisor Comercial Nordeste e Gerente da Pasta Leite Nacional Semex Brasil
47 9.9111-3988 |  fernando.rosa@semex.com.br

  
Por que o melhoramento genético é considerado um dos pilares da pecuária moderna?

A produção agropecuária ela é um grande desafio para os produtores em todo o mundo e aqui no Brasil não é diferente. Em busca da rentabilidade, tanto na pecuária de corte quanto na de leite, houve avanços significativos nas partes sanitária, nutricional e, da mesma forma, na área da genética. A necessidade de obter animais geneticamente superiores, com maior velocidade de resposta, impulsionou os produtores a reduzir o intervalo entre gerações e intensificar a pressão de seleção. Esse movimento visa a verticalização da produção, visando aumentar a produtividade e, consequentemente, a lucratividade.

Quais são os principais avanços tecnológicos que impulsionaram o melhoramento genético nos últimos anos?
Na minha visão, algumas tecnologias foram fundamentais para impulsionar o melhoramento genético ao longo dos anos. As provas zootécnicas, os sumários de touros e os testes de progênie tiveram um papel muito importante, tanto para as raças de corte quanto para as raças leiteiras. Outra tecnologia que merece destaque é o sêmen sexado, que teve grande impacto ao permitir uma seleção mais direcionada, contribuindo diretamente para o aumento da pressão de seleção. Mais recentemente, a genômica se consolidou como uma ferramenta revolucionária. Ela possibilita a identificação de animais geneticamente superiores ainda muito jovens, o que acelerou significativamente os ganhos genéticos e fortaleceu o avanço do melhoramento nos últimos anos.

Como esses avanços impactaram, de forma prática, a produtividade e a qualidade dos rebanhos?

É evidente o impacto financeiro proporcionado pelo melhoramento genético. Na pecuária de corte, esse avanço pode ser observado de forma geral pelo aumento da produção de quilos de carne por hectare. De maneira mais segmentada, os ganhos ficam claros em indicadores como o peso à desmama e o peso ao sobreano, refletindo não apenas o ganho de peso direto dos animais, mas também a melhoria da habilidade materna das matrizes. Outro ponto importante é a qualidade da carne que estamos produzindo no Brasil. Isso tem colocado o país em posição de destaque no cenário mundial, como uma referência na produção de carne de alta qualidade. Na pecuária leiteira, os efeitos do melhoramento genético também são visíveis, especialmente na produção de leite por hectare. Mas os benefícios vão além da produtividade: hoje, vemos animais mais resistentes a doenças, o que reduz custos com tratamentos e manejo. Além disso, os laticínios têm recebido um leite de melhor qualidade, com menor incidência de células somáticas e melhores teores de gordura e proteína. O resultado são vacas mais saudáveis, com maior produtividade e, consequentemente, mais lucratividade para os produtores.